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domingo, 17 de março de 2013

A Guerra Civil Americana




Representação Artística da Guerra Civil. Do lado direito, um soldado da União e à esquerda, um soldado da Confederação.

A Guerra Civil Americana, também conhecida como Guerra da Secessão, foi um conflito ocorrido no atual território dos Estados Unidos da América entre os anos 1861 e 1865 entre os Estados do Norte, que formavam a União (Califórnia, Connecticut, Delaware, Illinois, Indiana, Iowa, Kentucky, Maine, Maryland, Massachusetts, Michigan, Minnesota, Missouri, Nova Hampshire, Nova Jérsei, Nova Iorque, Ohio, Oregon, Pensilvânia, Rhode Island, Vermont e Wisconsin, mais os territórios de Colorado, Dakota, Nebraska, Nevada, Novo México, Utah e Washington) e os Estados do Sul, que formavam a Confederação (Alabama, Arkansas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Flórida, Geórgia, Louisiana, Mississippi, Tennessee, Texas e Virgínia).

Origem

Conforme apontado por historiadores, os Estados do Sul apresentavam um grande atraso no desenvolvimento econômico. Enquanto os ianques (como também são conhecidos os habitantes dos Estados do Norte) possuíam uma economia industrializada, com grande parte da mão-de-obra assalariada, uma grande abundância em energia hidráulica e muitas facilidades de transporte, os sulistas possuíam um clima seco e uma atrasada economia agro-exportadora de algodão e de tabaco, baseada no latifúndio escravista.

E foi esse temor da abolição da escravatura, sem dúvidas, o principal motivo da Guerra. Os sulistas, que utilizavam a mão-de-obra escrava para realizarem seus serviços, tradicionalmente o cultivo de algodão e tabaco sentiram-se ameaçados com a eleição de Abraham Lincoln para presidente. Para os sulistas, um republicano com idéias abolicionistas poderia prejudicar a principal fonte de renda dos seus estados. Com isso, embora Lincoln tenha deixado bem claro em seu discurso de posse que a abolição dos escravos era um objetivo secundário, que o principal objetivo do seu governo seria preservar a unidade da nação, os Estados do Sul, temendo serem prejudicados pelas decisões de Lincoln, se constituíram numa Confederação e se separaram da União.



O Conflito

Inicialmente, as investidas bélicas da Confederação contra a União foram bem-sucedidas, concedendo àqueles uma vantagem, que durou pouco tempo. A União contava com diversos fatores que contavam a seu favor, a saber: 
- Uma economia industrializada que contribui significativamente para a fabricação de armas e outros suprimentos;
- Uma malha ferroviária grande e eficiente, permitindo rápido transporte de tropas;
- Maior população e taxas maiores de imigração, aumentando ainda mais o contingente de soldados;
- Os ianques contavam com uma força naval superior e, com isso, aplicaram um bloqueio econômico sobre a Confederação, o que dificultou que esta se deslocasse ao exterior para conseguir armas e demais suprimentos;
- Um governo estável e popular da União;
- A Proclamação da Emancipação, assinada em 22 de setembro de 1862, que estipulava que os escravos que vivessem no territória da Confederação passariam a ser pessoas livres a partir de 1º de Janeiro seguinte. Esse ato, além de proporcionar um incetivo moral à União para continuar os esforços de guerra ainda proporcional o alistamento dos afro-americanos emancipados às forças da União.

Mesmo com tantos fatores contando a seu favor, a União encontrou grandes dificuldades para vencer esta guerra, pois os sulistas apresentaram grande resistência. A maior parte da guerra ocorreu em territórios do sul o que dava a estes a vantagem de conhecer os locais de guerra. Apesar disso, a vantagem ianque era inegável e isso ficou comprovado com a vitória sobre os sulistas.

O reflexo da guerra

A guerra apresentou números assustadores. Oficialmente, o total de mortos da guerra foi de 558.052 soldados. Considerando todos os desaparecidos na época, esse número sobe para aproximadamente 620 mil. Esses número apresentado é maior que a soma de todos os americanos mortos em operações militares desde a Revolução Americana da 1776 até os dias de hoje.


A guerra ainda drenou muitos recursos financeiros e devastou a economia do sul. Apesar disso, nenhum programa governamental foi previsto para a integração profissional e econômica do Sul aos Estados Unidos da América. O Sul perdeu toda sua influência política, econômica e cultural nos Estados Unidos. Os ideais tradicionais do Sul passaram a não ter nenhuma influência no governo federal. Enquanto o conflito assolava os Estados americanos, a exportação de algodão pelos Estados do Sul ao Reino Unido ficou altamente prejudicada - o setor têxtil inglês passou a importar algodão de duas de suas colônias - o Egito e a Índia, e também incentivando outros países produtores de algodão - inclusive, o setor algodoeiro no Brasil. Foi o "surto nas exportações brasileiras de algodão".

A Guerra Civil Americana causou a urbanização das terras do oeste e das áreas centrais norte-americanas, contribuindo ainda mais para o crescimento da economia, a expansão industrial e o desenvolvimento do capitalismo dos Estados Unidos.

Apesar das dificuldades financeiras enfrentadas pela União ao longo da guerra, graças ao esforço de guerra, o Norte cresceu de maneira surpreendente, principalmente na metalurgia, transporte ferroviário, armamentos e naval. Além do desenvolvimento tecnológico, houve ganhos no campo da medicina, escolas e instituições de ensino superior. O comércio cresceu de maneira exponencial, espalhando-se para todo o território americano. O padrão de cultura dos Estados Unidos passou a ser o ideal nortista de "trabalho duro, educação e liberdade econômica a todos", e que eventualmente, faria dos Estados Unidos a maior potência econômica do mundo.

A Confederação foi abolida pela União, e os Estados rebeldes foram ocupados por tropas da União até 1877


A escravidão nos Estados Unidos foi declarada oficialmente em 1865, porém os afro-americanos ainda enfrentariam um longo percurso até alcançar a igualdade. Durante um longo períodos eles continuaram a ser marginalizados. As perseguições brutalíssimas por parte de organizações racistas como o Klu Klux Klan e as discriminações de várias ordens (no direito eleitoral, no mercado de emprego, no acesso ao ensino e à habitação etc.) de que foram vítimas só foram eficazmente combatidas por um amplo movimento social encabeçado por Martin Luther King Jr., na década de 60 do século passado

Após a derrota e a recessão político-econômica que se seguiu no Sul, muitos confederados migraram para outras regiões dos Estados Unidos (primariamente, para o Norte e o Oeste americano). Os Estados confederados em conjunto (com exceção da Flórida e do Texas) sofreram em conjunto um decréscimo populacional de cerca de 300 mil habitantes na década de 1870, 450 mil na década de 1880 e 550 mil na década de 1890. Muitos dos confederados que abandonaram o Sul americano emigraram para outros países, entre eles o Brasil, buscando fugir não somente da recessão econômica, bem como da perseguição e discriminação que se seguiu contra a população confederada. Essa fuga consistiu no maior êxodo populacional da história dos Estados Unidos


Jonathans


Influência Celta na Cultura Inglesa


 
A língua inglesa é fruto de uma história complexa e enraizada num passado muito distante.

Há indícios de presença humana nas ilhas britânicas já antes da última era do gelo, quando as mesmas ainda não haviam se separado do continente europeu e antes dos oceanos formarem o Canal da Mancha. Esse recente fenômeno geológico que separou as ilhas britânicas do continente, ocorrido há cerca de 7.000 anos, também isolou os povos que lá viviam dos conturbados movimentos e do obscurantismo que caracterizaram os primórdios da Idade Média na Europa.

 

Sítios arqueológicos evidenciam que as terras úmidas que os romanos vieram a denominar de Britannia já abrigavam uma próspera cultura há 8.000 anos, embora pouco se saiba a respeito.

 

OS CELTAS

 

A história da Inglaterra inicia com os celtas.

Por volta de 1000 a.C., depois de muitas migrações, vários dialetos das línguas indo-européias tornam-se grupos de línguas distintos, sendo um desses grupos o celta. Os celtas se originaram presumivelmente de populações que já habitavam a Europa na Idade do Bronze. Durante cerca de 8 séculos, de 700 a.C. a 100 A.D., o povo celta habitou as regiões hoje conhecidas como Espanha, França, Alemanha e Inglaterra. O celta chegou a ser o principal grupo de línguas na Europa, antes de acabarem os povos celtas quase que totalmente assimilados pelo Império Romano.

 

A PRESENÇA ROMANA

 

Em 55 e 54 a.C. ocorrem as primeiras invasões romanas de reconhecimento, sob o comando pessoal de Júlio César. Em 44 A.D., à época do Imperador Claudius, ocorre a terceira invasão, quando então a principal ilha britânica é anexada ao Império Romano até os limites com a Caledônia (atual Escócia) e o latim começa a exercer influência na cultura celta-bretã. Três séculos e meio de presença das legiões romanas e seus mercadores, trouxeram profunda influência na estrutura econômica, política e social das tribos celtas que habitavam a Grã Bretanha. Palavras latinas naturalmente passaram a ser usadas para muitos dos novos conceitos.

 

OS ANGLO-SAXÕES

 

Devido às dificuldades em Roma enfrentadas pelo Império, as legiões romanas, em 410 A.D., se retiram da Britannia, deixando seus habitantes celtas à mercê de inimigos (Scots e Picts). Uma vez que Roma já não dispunha de forças militares para defendê-los, os celtas, em 449 A.D., recorrem às tribos germânicas (Jutes, Angles, Saxons e Frisians) para obter ajuda. Estes, entretanto, de forma oportunista, acabam tornando-se invasores, estabelecendo-se nas áreas mais férteis do sudeste da Grã-Bretanha, destruindo vilas e massacrando a população local. Os celtas-bretões sobreviventes refugiam-se no oeste. Prova da violência e do descaso dos invasores pela cultura local é o fato de que quase não ficaram traços da língua celta no inglês.

 

São os dialetos germânicos falados pelos anglos e pelos saxões que vão dar origem ao inglês. A palavra England, por exemplo, originou-se de Angle-land (terra dos anglos). A partir daí, a história da língua inglesa é dividida em três períodos: Old English, Middle English e Modern English. A segunda metade do século V, quando ocorreram as invasões germânicas, marca o início do período denominado Old English.

 

INTRODUÇÃO DO CRISTIANISMO

 

Em 432 A.D. St. Patrick inicia sua missão de levar o cristianismo à população celta da Irlanda. Em 597 A.D. a Igreja manda missionários liderados por Santo Agostinho para converter os anglo-saxões ao cristianismo. O processo de cristianização ocorre gradual e pacificamente, marcando o início da influência do latim sobre a língua germânica dos anglos-saxões, origem do inglês moderno. Esta influência ocorre de duas formas: introdução de vocabulário novo referente a religião e adaptação do vocabulário anglo-saxão para cobrir novas áreas de significado. A necessidade de reprodução de textos bíblicos representa também o início da literatura inglesa.

A introdução do cristianismo representou também a rejeição de elementos da cultura celta e associação dos mesmos a bruxaria. A observação ainda hoje de Halloween na noite de 31 de outubro é exemplo remanescente de cultura celta na visão do cristianismo.

 

Àquele período, a Inglaterra encontra-se dividida em sete reinos anglo-saxões e o Old English, então falado, na verdade não era uma única língua, mas sim uma variedade de diferentes dialetos.

 

Os dialetos do inglês antigo de antes do cristianismo eram línguas funcionais para descrever fatos concretos e atender necessidades de comunicação diária. O vocabulário de origem greco-latina introduzido pela cristianização expandiu a linguagem anglo-saxônica na direção de conceitos abstratos.

 

Ao final do século 8, iniciam os ataques dos Vikings contra a Inglaterra. Originários da Escandinávia, esses povos usavam de violência e seus ataques causaram destruição em muitas regiões da Europa. Os vikings que se estabeleceram na Inglaterra eram predominantemente provenientes da região hoje pertencente à

 

Dinamarca e falavam Old Norse, ancestral do dinamarquês. Esses mais de 200 anos de presença de escandinavos na Inglaterra naturalmente exerceram influência sobre o Old English. Entretanto, devido à semelhança entre as duas línguas, torna-se difícil determinar esta influência com precisão.
 
Andreia Cristina Arruda

 

 

 

 

sábado, 16 de março de 2013


Assassinato de Abraham Lincoln

O presidente americano Abraham Lincoln (1809-1865) foi morto durante a apresentação de uma peça no Teatro Ford, em Washington, pelo ator John Wilkes Booth (1838-1865). Na noite de 14 de abril de 1865, Booth protagonizou a cena que o eternizou. Ele era um sulista inconformado com a derrota na guerra civil e fazia parte de uma conspiração que envolvia outras pessoas e outros alvos.  Booth fugiu por 12 dias, até ser morto na Virgínia.

 Assassinato de John F. Kennedy 

O assassinato de John F. Kennedy (1917- 1963), ocorreu a uma sexta-feira, 22 de Novembro de 1963, em Dallas, Texas. Kennedy foi mortalmente ferido por disparos enquanto circulava no automóvel presidencial na Praça Dealey. Duas investigações oficiais concluíram que Lee Harvey Oswald, um empregado do armazém Texas School Book Depository na Praça Dealey, foi o assassino. O assassinato sempre esteve sujeito a especulações e dúvidas, sendo origem de um grande número de teorias de conspirações.


A lista de coincidências entre Abraham Lincoln e John Kennedy é uma lenda urbana americana de origem desconhecida. A primeira lista publicada na imprensa americana, em 1964, após o assassinato de John F. Kennedy em 1963, tendo aparecido anteriormente no G.O.P Congressional Committee Newsletter.
Atualmente circula pela internet, em idiomas diferentes, esse suposto cruzamento de dados biográficos, entre John Kennedy e Abraham Lincoln. Atualmente, a lista continua a circular através da mídia, tendo permanecido no imaginário coletivo por mais de 40 anos. Abaixo está a versão original da lista. Muito tem sido negado da lista e algumas declarações são "meias verdades". Alguns folcloristas têm argumentado que a lista era uma maneira para as pessoas encontrarem sentido para os dois eventos trágicos na história dos Estados Unidos à procura de padrões. 

  • Abraham Lincoln foi eleito para o Congresso em 1846.
  • John F. Kennedy foi eleito para o Congresso em 1946.
  • Abraham Lincoln foi eleito presidente em 1860.
  • John F. Kennedy foi eleito presidente em 1960.
  • Os nomes Lincoln e Kennedy têm sete letras.
  • Ambos estavam comprometidos na defesa dos direitos civis.
  • As esposas de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca.
  • Ambos os presidentes estavam preocupados com os problemas dos negros norte-americanos.
  • Ambos os presidentes foram baleados numa sexta-feira.
  • Ambos os presidentes foram assassinados com um disparo na cabeça.
  • Ambos os presidentes foram assassinados na presença da esposa.
  • A secretária de Lincoln chamava-se Kennedy e lhe disse para não ir ao teatro.
  • A secretária de Kennedy chamava-se Lincoln e ela avisou a ele para não ir a Dallas.
  • Ambos os presidentes foram assassinados por sulistas.
  • Ambos os presidentes foram sucedidos por sulistas.
  • Ambos os sucessores chamavam-se Johnson.
  • Andrew Johnson, que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1808.
  • Lyndon Johnson, que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1908.
  • Ambos os assassinos eram conhecidos pelos seus três nomes.
  • Os nomes de ambos os assassinos têm quinze letras.
  • Booth saiu correndo de um teatro e foi apanhado num depósito.
  • Oswald saiu correndo de um depósito e foi apanhado num cinema.
  • Booth e Oswald foram assassinados antes de seu julgamento.
  • O assassinato de Kennedy foi filmado por um homem chamado Abraham
  • O teatro de Ford era propriedade de um homem chamado John.
  • Lincoln foi morto no Teatro Ford.
  • Kennedy foi morto num carro Ford, modelo Lincoln…


Deise Monteiro

quinta-feira, 14 de março de 2013

As raízes puritanas

No outono de 1620, 102 ingleses embarcaram no Mayflower para viajar rumo a uma concessão situada perto da embocadura do rio Hudson, que lhes tinha sido concedida pelos mandatários da Companhia de Virgínia pelo prazo de sete anos.

Os passageiros, incluindo mulheres e crianças, não formavam um grupo homogêneo. Trinta e cinco deles eram presbiterianos, que cultivavam o desejo de viver em paz segundo suas convicções religiosas, ao passo que o gosto pela aventura e o desejo de fazer fortuna motivavam os outros companheiros.

Após uma tempestade na costa americana, os viajantes não esperaram chegar ao destino previsto inicialmente. Desembarcaram 200 quilômetros mais ao norte, diante do Cabo Cod - fora, portanto, dos territórios da Companhia. Os puritanos não somente foram abandonados à própria sorte, "largados como vieram ao mundo", como ficaram à mercê, acreditavam, da cupidez manifesta dos outros passageiros. Para dar valor legal à sua fixação na costa americana, e também, sem nenhuma dúvida, para se proteger de seus companheiros, redigiram um documento, o Mayflower Compact ,assinado ainda a bordo por 41 adultos, em 21 de novembro (ou 11 de novembro para os anglo-saxões, que só aceitaram o calendário gregoriano a partir do século XIX).

Desde o início da colonização, os puritanos manifestaram o desejo de se organizar em um corpo político civil. A terra prometida trouxe a esses novos "filhos de Israel" sua parcela de sofrimento. A fome, o frio e a doença dizimaram a pequena colônia. A metade dos pioneiros não resistiu ao primeiro inverno. Os sobreviventes, contudo, dedicaram-se ao trabalho. Uma boa colheita, no verão seguinte, os confortou, e eles a celebraram com um solene Thanksgiving, o Dia da Ação de Graças. Assim, os primeiros perus apareceram sobre as mesas para agradecer a Deus pelas suas dádivas. À cidadezinha que fundaram numa verde colina deram o nome de New Plymouth. Em 1627, um holandês, vindo de Nova Amsterdã, constatou a boa organização da cidade. Notou que a colônia possuía um governador e um conselho, cujos membros eram eleitos ou reeleitos a cada ano por toda a comunidade, regida por leis restritas, notadamente no que se referia a adultério e fornicação.
Atenção, porém: embora a epopéia dos peregrinos seja parte integrante da história americana e o Mayflower Compact tenha servido de modelo a outras possessões na região do Atlântico, não é tanto a esses pioneiros que se deve o mérito de conceber a América do Norte. Esse tem de ser creditado, sim, a outro grupo puritano que se estabeleceu na baía do Massachusetts, alguns anos mais tarde. É por esse motivo que o primeiro governador, John Winthrop, ficou com o título de fundador da Nova Inglaterra.

Em 1629, uma nova carta, outorgada por Carlos I, fundou a Massachusetts Bay Company. No ano seguinte, mil ingleses, todos formados na doutrina puritana, embarcaram de Southampton em direção ao Novo Mundo, a fim de estabelecer sobre essas terras virgens uma nova ordem eclesiástica e política, que lhes permitiria viver de acordo com suas crenças. Eles eram devotos, animados pela vontade de trabalhar e pelo senso do dever. Além disso, muitos tinham instrução: cadetes, filhos de grandes fazendeiros, ministros religiosos.

Esses homens e essas mulheres determinados concebiam sua migração ao Novo Mundo como um capítulo do drama que se desenrola desde a criação do mundo e que só acaba no Juízo Final. Deus os guiara até esses lugares selvagens com o fim de arrancá-los das mãos de Satã e conduzi-los a Cristo. Seu destino era o de estabelecer uma nova idade do ouro na América do Norte. Neles havia a nostalgia de um ascetismo pastoral, tema tocante que, ao lado da utopia igualitária, influenciaria profundamente a literatura anglo-saxã. Eles reconheciam um só soberano, Deus, o que tornava os homens do Novo Mundo irmãos, solidários. John Winthrop, a bordo do navio Arabella, declarou: "Nós devemos agir nessa empreitada como um só homem, devemos alegrar-nos na companhia dos nossos, divertir-nos juntos, chorar juntos, trabalhar e sofrer juntos, tendo sempre presente no espírito a missão de nossa comunidade, na qual todos devem ser como membros de um mesmo corpo".

Concedendo a carta, o governo inglês pensou que a nova colônia, assim como a da Virgínia, seria governada a partir de Londres. Mas a Massachusetts Bay Company não entendeu dessa maneira, e o Massachusetts seria um estado quase independente durante meio século. A companhia instalou em Shawmut (Boston) um governador residente, assim como um conselho composto por grandes proprietários rurais, mercadores e pastores. Um acordo foi assinado por todos. O texto era curto: "Fazemos uma aliança (covenant) com o Senhor e entre nós, comprometendo-nos, na presença de Deus, a caminhar juntos em todas as suas sendas da forma que Ele desejar revelar-se a nós em Sua santa palavra da verdade".
Antes de existir politicamente, cada comunidade era de essência religiosa. Apesar de, nos primeiros tempos, o direito de voto estar reservado apenas aos membros das igrejas congregacionistas, às quais pertencia a maioria dos imigrantes, não é correto afirmar que o Massachusetts, na época puritana, era uma teocracia. Os magistrados zelariam sempre por suas prerrogativas. A Igreja e o Estado trabalhavam juntos para o bem da comunidade, buscando o consenso. Todas as decisões deviam ser unânimes - o que provocava debates intermináveis. Mas, uma vez obtido o consenso, os puritanos não contestavam a decisão tomada, convencidos de que "Deus esclarecera suficientemente os pastores e os magistrados de seu próprio povo para que estivessem preparados para governar com base na certeza e na verdade".

Eles não tinham deixado a Inglaterra para escapar a toda forma de governo, mas para trocar o que acreditavam ser um mau governo por um bom, ou seja, formado livremente por eles mesmos. Tanto no plano político como no religioso, acreditavam que o indivíduo só poderia se desenvolver em liberdade. Entretanto, convencidos de que a liberdade consiste em dar ao homem a oportunidade de obedecer aos desígnios divinos, ela apenas permitia ao indivíduo escolher o Estado que deveria governá-lo e a Igreja na qual ele iria louvar a Deus. Como a Igreja da Nova Inglaterra tinha rejeitado toda hierarquia que tivesse o poder de ditar sua conduta, cada congregação religiosa no Massachusetts era autônoma. Era composta de convertidos: existia onde os cristãos, movidos por uma livre decisão, se reuniam. Não podemos obrigar ninguém a ser crente - afirmavam os teólogos puritanos - tanto quanto não podemos forçar uma pessoa livre a renunciar a uma convicção.

Não tenhamos, entretanto, nenhuma ilusão. Os puritanos, apesar da separação relativa entre Igreja e Estado e o cuidado com a liberdade de consciência, se mostravam intolerantes àqueles que não pensavam como eles, mais por medo do caos social que beatice. Por isso, alguns agricultores, como Roger Williams, acabariam se exilando em Rhode Island. Outros acabariam banidos, com proibição de voltar à colônia, sob pena de morte. Quatro quakers recalcitrantes foram enforcados, entre 1658 e 1661. A ordem deveria reinar. O pensamento e a ação dos puritanos se inscreveram nos cânones de uma sociedade que primava pela ordem. Quando, em 1641, desafiando o Parlamento britânico, o Massachusetts se tornou um Commonwealth, criando sua própria legislação, conservou leis britânicas, sobretudo as que garantiam justiça igual para todos, proteção contra toda prisão arbitrária e morte pela forca. Em certos aspectos, como está no código das liberdades de 1641, as leis do Massachusetts ofereciam mais garantias ao cidadão que as inglesas - por exemplo, no tocante à liberdade de expressão e de ir e vir, como no direito de se reunir.

A lei protegia também o cidadão contra a possibilidade de ser condenado duas vezes pelo mesmo crime, previa a liberdade sob caução e proibia a tortura para se conseguir a confissão de um preso (mas uma "tortura não-desumana" era autorizada para obter o nome dos cúmplices daquele que era reconhecidamente culpado). A lei definia que um homem não podia receber mais de 40 chibatadas, nem um detento condenado à morte sem ter sido considerado culpado por três testemunhas. As mulheres eram protegidas contra a brutalidade marital (exceto quando o marido era obrigado a se defender de um ataque de sua mulher), assim como os servidores, contra os abusos de seus patrões. Além disso, cada habitante do Massachusetts tinha a possibilidade de consultar os regulamentos, registros e arquivos de qualquer corte, salvo os do Conselho. Outro artigo interessante: "Nenhum monopólio será autorizado ou concedido a nenhum dos nossos, salvo por um curto período, e somente no caso de novas invenções que possam ser benéficas a todos".
Os puritanos também baseavam suas leis na Bíblia. Eram passíveis da pena capital os blasfemadores, os feiticeiros e as feiticeiras e aqueles que se dedicassem à adivinhação; quem cometesse homicídio ou bestialidade; os pederastas, os adúlteros, os ladrões, aqueles que davam falso testemunho e os conspiradores. Por fim, o repouso do sabbat (como eles chamavam o domingo) deveria ser rigorosamente respeitado e voltado às atividades espirituais. A legislação proibia viagens, visitas, obras, divertimentos, e os infratores eram obrigados a pagar multas. Há exemplos bizarros de transgressões: dez shillings de multa por, no dia do sabbat, ter "pescado umas enguias", por colher ervilhas, por ter ido navegar, ou por levar o rebanho ao pasto. O único deslocamento autorizado era o de se encontrar na casa de orações mais próxima para louvar ao Senhor. Assim que o sabbat acabava, os habitantes retomavam o trabalho.

Para o povo de Massachusetts, como, aliás, para todo bom protestante dessa época, o trabalho era um "desígnio divino". Afinal, Deus havia confiado a Adão a tarefa de cultivar o Paraíso antes da Queda. E Cristo, durante sua vida terrestre, tinha trabalhado como carpinteiro. Deus deu a vida ao homem para que ele fosse ativo, proclamara o célebre teólogo de Cambridge, William Perkins. Seu Tratado da vocação colocava o trabalho no centro da reflexão: "Cada um de nós, ricos ou pobres, homens ou mulheres, somos obrigados a ter uma vocação pessoal, por meio da qual devemos cumprir certos deveres visando o bem comum, de acordo com os dons que Deus concedeu a cada um". Isso significava que, para ele, o trabalho não-produtivo tornava-se suspeito, ímpio e mesmo imoral, fosse a pessoa especulador, monge ou vagabundo. Na verdade, ele dava ao trabalho um valor tal que a ordem do repouso sabático lhe provocava a sensação de que era obrigatório trabalhar todos os outros seis dias. Em nome da utilidade, Perkins acabou por reduzir a vocação apenas às atividades econômicas. Sabendo-se que, entre os imigrantes, muitos ministros estavam impregnados pelas idéias de Perkins, não foi de estranhar que a "Plantação de Deus", cadinho onde se forjariam diversas gerações de crentes, tenha se tornado rapidamente um lugar de grande atividade.

Como uma orquestra
Entre 1630 e 1640, em ondas sucessivas, cerca de 20 mil ingleses desembarcaram no Massachusetts. Do Maine ao Connecticut, comunidades foram aparecendo, com freqüência isoladas umas das outras, dedicando-se à caça, à pesca, à agricultura.

Indústrias começaram a crescer, especialmente a da pesca, pois os peixes eram abundantes nas frias águas do Atlântico. Estaleiros foram criados; pequenas cidades se desenvolveram. Povoados costeiros, como Salem e Charlestown, se transformaram em cidades portuárias, nas quais negociantes comerciavam com a Europa e as ilhas do Caribe. Boston, centro do governo de Massachusetts, mostrava, em sua prosperidade e suas múltiplas atividades, a vitalidade de seu povo, "santos magistrados", comerciantes e artesãos. A educação não fora esquecida, e a formação das elites prosseguia. Em 1636, foi fundada em Newton, perto de Boston, a Universidade Harvard. Três anos depois, uma tipografia se estabelecia na região.
A primeira geração trabalhava como uma orquestra. Depois, a população se tornou menos homogênea, e, com o passar dos anos, o sucesso pessoal acabou suplantando o esforço coletivo. Muitos imigrantes estavam tão determinados a fazer fortuna quanto a favorecer a "verdadeira religião" e, no fim daquele século, cresceu a rivalidade entre a classe dos mercadores e a dos grandes proprietários rurais, os primeiros com visão de futuro, os segundos permanecendo agarrados a seu ideal pastoral. Mas todos continuaram vivendo à maneira puritana, e não é vão afirmar que as teorias dos pensadores do puritanismo, que, lembremos, pregam a moderação, não o ascetismo, asseguravam um fundamento moral, religioso e econômico tão sólido que o estilo de vida New England não somente se impôs aos recém-chegados mas ganhou outras regiões onde se disseminavam os crentes.

Novas colônias se estabeleceram, e cada uma delas se esforçou para preservar sua independência, no plano religioso ou político. Assim, a de Rhode Island - formada pelas cidades de Providence, Portsmouth, Newport e Warwick - gozava de uma carta que a tornava uma pequena república independente. Os colonos de Connecticut, em 1639, redigiram as Ordens Fundamentais do Connecticut, que foi a primeira constituição escrita na América, e a primeira no mundo ocidental. A colônia era dirigida por um governador, um corpo de conselheiros e uma Câmara baixa eleita. Em 1662, ela obteve de Carlos II uma carta bastante liberal, assim como o privilégio de ter um governo próprio.

Alegria durou pouco
Às vezes, entretanto, acontecimentos externos obrigavam as colônias a se unir. Em 1643, temendo o expansionismo de seus vizinhos holandeses em Nova Amsterdã, Massachusetts, Connecticut, Plymouth e New Haven se agruparam numa Confederação da Nova Inglaterra. Ficava claro, porém, que a independência territorial de cada colônia estava garantida. A Confederação era governada por oito comissários, dois para cada colônia, que foram escolhidos pelos membros de sua própria General Court (corpo legislativo munido de poderes judiciários). Eles tinham o poder de declarar tanto guerras ofensivas como defensivas, e as despesas eram pagas pelas colônias, com um rateio proporcional ao número de habitantes entre 16 e 60 anos de cada uma delas.

A independência política dos New Englanders durou pouco tempo. A restauração da monarquia na Inglaterra, em 1660, tornou a posição do Massachusetts muito delicada. Rapidamente, o rei Carlos II revogou sua carta. Em 18 de abril de 1689, quando a notícia da Revolução Gloriosa chegou a Boston, a cidade se sublevou. O governador real foi posto na prisão e um manifesto foi lido publicamente. Para justificar sua ação, os rebeldes evocaram o temor de uma aliança com os franceses e de um complô católico. Um governo provisório de fidalgos foi instaurado, mas a alegria dos habitantes teve curta duração. Embora o elegante Increase Mather, presidente de Harvard, tenha viajado a Londres para discutir sobre o futuro do Massachusetts, esforçando-se para persuadir Suas Majestades que, sob o "bom governo" da antiga carta a colônia tenha tido um desenvolvimento sem precedentes, William e Mary se recusaram a restaurar a carta original, impondo ao Massachusetts um governador real e estendendo a liberdade de culto para todas as Igrejas protestantes.
Por outro lado, os valores estavam mudando. O empirismo racional e científico do século das Luzes, pouco a pouco, se instalou na consciência dos habitantes da Nova Inglaterra e, na segunda metade do século XVIII, o puritano, movido por seu formidável espírito empreendedor, transformou-se em ianque. Além disso, a reflexão teológica canalizava menos suas energias que a busca pelo bem-estar - mas a experiência puritana do Massachusetts deixou seus rastros até os dias de hoje.

-Tradução Alexandre Agabiti Fernandez
Ainda não se poderia falar em democracia. Pode-se até dizer que os fundadores da Nova Inglaterra do século XVII eram totalmente contrários a ela (como, aliás, no século seguinte, a maioria dos homens que redigiu a constituição dos Estados Unidos). Existia em Winthrop uma grande desconfiança em relação à democracia, "a pior e mais vil forma de governo". O sistema colocado em prática pelos puritanos era oligárquico. De qualquer forma, esse regime funcionou como aprendizado da democracia, na medida em que, seja nas igrejas locais, seja nos conselhos, os religiosos deliberavam e elegiam responsáveis em suas próprias fileiras. Além disso, o pacto que reinava entre eles - adotado livremente e sem constrangimentos - era um contrato político, com regras e disciplina próprias. O ativismo político, aliás, era visto pelos teóricos do puritanismo como um dever do cristão regenerado. O puritanismo não foi uma religião individual, e sim social. Diante de Deus, o homem vivia na Natureza e também em sociedade, como atesta uma bela frase de um ministro puritano: "Um coração virtuoso iria ao céu sozinho se ele não encontrasse companheiros, mas ele prefere a companhia".
Cronologia
1620
Chegada dos fundadores peregrinos; estabelecimento do Mayflower Compact
1630
Chegada dos puritanos à baía do Massachusetts
1636
Criação da Universidade de Harvard
1639
Ordens fundamentais do Connecticut
1641
Proclamação do Commonwealth e adoção do código das liberdades no Massachusetts
1643
Confederação da Nova Inglaterra
1649
Na Inglaterra, execução de Carlos I e proclamação do Commonwealth
Eles fizeram a América do Norte
John Winthrop
Nascido em Groton (Suffolk) em 1588, John Winthrop recebeu a boa educação dada aos filhos dos fidalgos rurais. Seus pais o enviaram a Cambridge, onde estudou direito. Aos 18 anos, tornou-se juiz de paz, adotando com entusiasmo as idéias puritanas. Depois da dissolução do Parlamento por Carlos I, em 1629, decidiu partir rumo ao Novo Mundo. Seus contemporâneos se orgulhavam de sua fé, seu zelo e sua moderação. Graças a isso, foi eleito governador por quatro vezes (1629-34, 1637-40, 1642-44 e 1646-49), além de ocupar o posto de vice-governador durante dez anos. Desde 1637, ele defendeu a criação de uma Confederação da Nova Inglaterra, para uma melhor proteção em caso de conflito, tornando-se seu primeiro presidente em sua formação, em 1643. Um dia, dirigindo-se aos representantes da General Court, declarou que "a magistratura não deve ser mais que um trabalho ministerial, na qual a autoridade - seja legislativa, consultiva, seja judiciária - deve ser exercida pelo povo, por meio das assembleias de seus representantes". Apesar de sua moderação, Winthrop se opôs furiosamente ao amigo Roger Williams, julgando suas idéias subversivas. Morreu em Boston, em 26 de março de 1649.

Roger Williams
Nascido em Londres, em 1603, diplomado em Cambridge, Roger Williams foi ordenado na Igreja da Inglaterra, mas frequentava os meios puritanos, adotando suas idéias. Imigrou para o Massachusetts em 1631. Ele despertou a hostilidade da magistratura, sustentando que o governo civil não tinha nenhum poder para impor ao povo os preceitos religiosos do Decálogo. Além disso, preocupado com a sorte dos índios, denunciou o caráter ilegal das expropriações. Tornou-se inicialmente pastor em Plymouth, onde aprendeu holandês e a língua dos índios da região. Em seguida, serviu na paróquia de Salem, onde teve muitos discípulos, especialmente entre as "mulheres devotadas". Foi denunciado diante da General Court em outubro de 1635 e condenado a sair da colônia. Com cerca de 20 companheiros, se refugiou no futuro território de Rhode Island e fundou Providence, adotando uma política generosa em relação aos índios. Primeiro nome da tolerância religiosa nos Estados Unidos, foi também defensor de uma política liberal, que colocou em prática. Em 1643, viajou à Inglaterra para advogar a causa de sua colônia, obtendo uma carta no ano seguinte. De volta a Rhode Island, ocupou as funções de presidente por três vezes, de 1654 a 1657. Morreu em Providence, entre 26 de janeiro e 25 de março de 1683.
As sementes da Democracia: O Mayflower Compact
"Em nome de Deus, amém. Nós, cujos nomes se seguem, leais súditos de nosso soberano senhor Jaime, pela graça de Deus, rei da Grã-Bretanha, da França e da Irlanda, defensor da fé, tendo realizado, para a glória de Deus, a difusão da fé cristã e a honra de nosso rei e de nosso país, uma viagem para estabelecer a primeira colônia na parte norte da Virgínia, pelos presentes, realizamos solene e mutuamente, diante de Deus e de cada um de nós, uma aliança (covenant) e a constituição de um corpo político civil para nos garantir uma ordem e uma proteção maiores, e a busca dos objetivos precedentemente citados; em virtude dos quais, decretar, redigir e conceber, quando se fizer necessário, justas e igualitárias leis, autorizações, atos, constituições e ofícios, segundo o que parecer melhor responder ao interesse geral da colônia, à qual prometemos toda a submissão e obediência que lhe são devidas. Dando fé a esse documento, escrevemos abaixo nossos nomes. Em Cap Cod, 11 de novembro do ano do reino de nosso soberano senhor Jaime, décimo oitavo rei da Inglaterra, da França e da Irlanda, e quinquagésimo quarto rei da Escócia.


Postado por: Maria Auxiliadora

Rainha da Inglaterra -Elizabeth 1ª

Elizabeth 1ª filha de Henrique 8º e Ana Bolena ,conhecida como a rainha virgem foi a
,quinta e última monarca da dinastia Tudor ,nasceu princesa,mas sua mãe foi executada
quando ela tinha três anos, a partir daí foi considerada ilegítima,mas com a morte de seu irmão
Eduardo 6º e de sua meia irmã Maria 1ª ela assumiu o trono.
Elizabeth 1ª recebeu educação humanista,tornou-se uma ardorosa protestante. Seu reinado de
44 anos e 127 dias, foi o quarto mais longo da história da Inglaterra.
Elizabeth herdou um reino dividido,pois Maria 1ª fervorosa católica havia perseguido os protestantes e deixou o reino enfraquecido pelas guerras,ameaçado pelas monarquias absolutas da França e da Espanha, e além disso tinha ao norte uma Escócia hostil e a oeste uma Irlanda rebelde.
Dona de uma personalidade forte e carismática elaborou uma política independente das influências do parlamento e de seus próprios conselheiros de confiança.Durante seu reinado houve o aumento da riqueza e o explendor cultural, cujos representantes são William Shakespeare,John Donne e Francis Bacon.
Os anos de reinado de Elizabeth 1ª passaram à história com o título de período Elizabetano,uma época de florescimento econômico e cultural,sob a inspiração do renascimento italiano e flamengo.
 
Maria Helena Salis Kisere - RA:  A82JGH7
 
 

segunda-feira, 11 de março de 2013

O motivo de São Patrício ser comemorado nos Estados Unidos.

 
Entre 1801 e 1921, mais de oito milhões de pessoas emigraram da Irlanda para os EUA. A grande maioria dos emigrantes que rumaram aos EUA, fixaram-se nas cidades de Boston, Nova York, Chicago e Philadelphia. Cidades com forte influência cultural Irlandesa até hoje, nas quais acontecem as principais comemorações/manifestações em alusão a esta data.
A primeira reunião documentada de irlandeses nos Estados Unidos em honra de São Patrick aconteceu em Boston em 17 de Março 1737. Porém o primeiro desfile de Saint Patrick’s Day, foi na verdade um desfile “militar” e bem diferente da forma como acontece hoje todos os anos em várias cidades dos EUA. Mas ele aconteceu pela primeira vez em 1762 em Nova York.
Durante a Guerra da Independência Americana, celebrações militares continuaram a acontecer nos anos subsequentes no dia 17 de Março. Uma das mais importante delas talvez tenha sido a de 17 de março, 1776. Quando os britânicos se retiraram da cidade de Boston e George Washington levou os rebeldes americanos para a cidade a tomar posse.
Diz também a história que o Saint Patrick’s Day foi comemorado depois de um longo e severo inverno pelo exército de George Washington em Valley Forgeem 1778.
Mas foi durante o século XIX, durante a Grande Fome Irlandesa, quando milhões de Irlandeses emigraram para a América atrás de melhores condições de sobrevivência, que o St. Patrick Day passou a ter a configuração parecida com a de hoje.
As saudades da terra natal (Irlanda) se transformaram em canções sentimentalizadas, e desde então Saint Patrick’s Day tem sido a ocasião perfeita para os irlandeses unirem-se na celebração da sua nacionalidade.
No início do Século XX, já na segunda ou terceira geração de irlandeses-americanos, dos quais muitos transformaram-se em influentes e poderosos da sociedade americana. A parada de Saint Patrick’s Day passou a ser uma oportunidade para a comunidade irlandesa para celebrar não só a sua origem étnica, mas também a sua integração bem sucedida na sociedade americana.
Hoje, o dia de St Patrick é comemorado em todo o mundo. Há desfiles em diversas cidades do Canadá, Austrália, África, América do Sul e em muitas capitais européias. Os desfiles são seculares, as celebrações comunitárias, onde o santo, sua vida e seu significado são muitas vezes esquecidos.
Aqui nos EUA, o St. Paddy’s como é carinhosamente chamado é celebrado em cidades grandes e pequenas. E tornou-se uma verdadeira celebração da cultura, gastronomia e cervejas Irlandesas.Um evento tipicamente associado com música alta, dança, desfiles, cerveja e muito verde.
Em algumas cidades a “piração” é tanta que eles chegam até mesmo a tingir rios ou córregos da cidade de verde. Como é o caso de Chicago que tinge as aguas do rio Chicago de verde há mais de 40 anos.
Entre as Paradas mais famosas dos EUA temos a St. Paddy’s Day Parade de Chicago, Boston, Washington, New York, St. Louis, Savannah, San Francisco, Philadelphia, Kansas City e Dublin em Ohio.
 
 
Postagem: Mariângela Bittencourt

domingo, 10 de março de 2013

A Revolução Gloriosa


A Declaração dos Direitos: John Locke e a Gloriosa Revolução de 1689 (Parte I)


Em Londres, no dia 13 de fevereiro de 1689, na Withehall, uma das salas do Parlamento inglês, os reis Guilherme de Orange e Maria assinaram a Declaração dos Direitos (Bill of Rights), um dos mais importantes documentos políticos modernos. Os soberanos continuariam governando, mas doravante teriam que aceitar a existência permanente de um Parlamento, como também assegurariam os direitos do homem comum, princípios que se tornaram a base das modernas Monarquias Constitucionais. Esta Declaração poupou aos ingleses as violências que tiveram lugar na França cem anos depois durante a Revolução de 1789.

No caminho da Gloriosa Revolução de 1689

Ato de Assinatura do Bill of Rights ( 1689)+.-0u67/22
“A liberdade natural do homem consiste em estar livre de qualquer poder superior na Terra... tendo somente a lei da natureza como regra.”
John Locke – Segundo tratado sobre o governo, 1690.
Tão feliz foi esse acordo entre os reis e os parlamentares, que esse episódio ficou conhecido como a Gloriosa Revolução. O Absolutismo e a Teoria do Direito Divino dos Reis foram substituídos pela Monarquia Constitucional sem que se incorresse em violência exagerada, massacres ou mobilizações de massa, como se deu durante a Revolução Francesa de 1789. O povo inglês e seus representantes não precisaram assaltar uma Bastilha nem recorrer à guilhotina para ver reconhecidos seus direitos maiores.

E, como sempre ocorre num momento de grande significação, também encontramos por detrás dele uma nova e sólida teoria, um conjunto de idéias sistematizadas que embasam a ação dos homens. Essa foi a Teoria Liberal Constitucional, surgida dos trabalhos do filósofo John Locke (1632-1704), um médico e homem de ciência que serviu em cargos de secretaria e que esteve exilado na Holanda, terra de Guilherme de Orange. Locke, amigo de Newton, foi considerado o maior pensador da Inglaterra e o que mais influência exerceu no mundo de então.

Suas idéias – a mais conhecida é a defesa da Separação dos Poderes – foram amplamente divulgadas e aceitas no exterior, influenciando a Revolução Americana de 1776 e a Revolução Francesa de 1789. Em parte, graças a ele, a Inglaterra foi considerada como o Reino mais avançado e onde os direitos dos súditos eram melhor assegurados, servindo como exemplo para as demais sociedades políticas que começaram a ser ordenadas a partir do século 18.

O REI E O PARLAMENTO

Oliver Cromwell, líder do Parlamento
O Reino da Grã-Bretanha passou boa parte do século 17 mergulhado numa profunda e violenta crise política provocada pela luta entre o Rei e o Parlamento. Como a dinastia Stuart, que substituiu os Tudor em 1603, acreditava dever o trono às antigas leis dinásticas medievais, ela sempre se considerou acima do Parlamento. Esta instituição, por sua vez, o Parlamento inglês, o tradicional e legítimo representante de todo o povo, nunca se conformou em não ter voz junto às decisões mais importantes do governo, especialmente às tributárias.

Como os reis Stuart dependiam do Parlamento para obter recursos, o Parlamento só os concedia em troca de mais poder.
Defrontavam-se então duas teorias políticas opostas. O Rei, tanto Carlos I como seu filho, Jaime II, acreditava que a fonte do seu poder era divina, sendo seguidor da Teoria do Direito Divino dos Reis, enquanto o Parlamento via-o como um representante dos interesses do povo, entendendo seu poder como natural, resultante de um contrato. Esse confronto teórico-político conduziu a Inglaterra primeiro à Guerra Civil de 1642-49 – a chamada Revolução Puritana –, comandada pelo líder parlamentar Oliver Cromwell, que julgou e executou o Rei Carlos I em 1649, e, depois, em 1688-9, depôs Jaime II, o filho de Carlos I, na celebrada Gloriosa Revolução.

A GLORIOSA REVOLUÇÃO DE 1689

“O Ordenamento de 1689 foi na sua essência a vitória sobre o fanatismo político e religioso.”
G. M. Trevelyan – The English Revolution, 1688-1689, 1938.

O nascimento de um criança real normalmente é motivo de júbilo. Não foi assim que o pequeno príncipe Jaime Eduardo, nascido em 1688, filho do Rei Jaime II, da Inglaterra, foi recebido. Como sua mãe Maria de Modena era católica e o próprio rei convertera-se aos 36 anos à “verdadeira fé”, como a chamavam os católicos ingleses, os parlamentares e o povo temeram pelo futuro do país. Para agravar ainda mais a situação, o Rei Jaime II decidira-se a educar o herdeiro como católico.

A essa altura dos acontecimentos faziam mais de 150 anos que a Inglaterra rompera com o papado e com o catolicismo. Desde então uma série de guerras a envolveram contra as potências católicas, especialmente a Espanha, que chegou a tentar invadi-la com a “Invencível Armada”, em 1588. O católico – o “papista”, como eles diziam – passou a ser visto como um traidor em potencial, como um antipátria, um subversivo, como um não-inglês*.

Um grupo de parlamentares, a pretexto de que o rei cometia ilegalidades, tomou a iniciativa de convidar para assumir imediatamente o trono da Inglaterra o stadholder da Holanda, Guilherme de Orange, sobrinho e genro de Jaime II e um ardoroso campeão da causa protestante. Guilherme – em nome da restauração das liberdades do povo inglês – aceitou o desafio e, junto com sua mulher Maria, embarcou para a Inglaterra. Em novembro de 1688 Guilherme desembarcou em Dover e marchou sem encontrar resistência para Londres. Jaime II, sem qualquer apoio, exilou-se na França.

Um pouco antes de partir para a ilha, o holandês assinou a Declaração de Guilherme (William’s declaration), onde reconheceu previamente a soberania do Parlamento, concordando com que tudo o que existisse de pendente seria resolvido por aquela assembléia. Portanto, não houve estranheza nenhuma quando o chamado Parlamento Convencional preparou a Declaração dos Direitos para que a sua esposa real e ele assinassem. Era o início do Ordenamento da Revolução de 1689, que, segundo G. M. Trevelyan, “não foi o triunfo de um partido, senão um acordo entre os dois partidos (os whigs, liberais, e os tories, conservadores) para viver e deixar os demais viverem... servindo para proteger as liberdades individuais dos ingleses contra as extrapolações do poder.”

Talvez seja um exagero classificar-se os acontecimentos de 1689 como “revolução”, porque se tratou muito mais de uma restauração. O Rei Jaime II foi pressionado a renunciar por ter pisado em antigas tradições da common law e dos direitos das pessoas. O novo Rei, Guilherme III, assumiu o trono como um restaurador, não como um revolucionário. Mas ao fazer isso propiciou a afirmação de uma nova maneira de fazer a política, na qual o parlamento estaria sempre presente.


http://educaterra.terra.com.br/voltaire/politica/2008/10/28/000.htm


Eliana Garcia
B1046J-1